domingo, 16 de agosto de 2015

EU ERA GOLPISTA E NÃO SABIA!

"A frente de partidos e entidades de esquerda que apoiou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última eleição presidencial passou a admitir a posição do PDT de pedir a renúncia do presidente Fernando Henrique Cardoso. A esquerda também decidiu cacifar o slogan "Fora FHC".
As decisões foram tomadas em reunião ontem, em São Paulo. Até agora, prevalecia na frente a posição do PT de só tentar uma campanha pelo impeachment de FHC, por causa principalmente da denúncia de envolvimento do presidente no leilão das teles.

"Vamos engrossar o movimento pelo impeachment, mas apoiamos também movimentos alternativos como a tese do PDT de pedir a renúncia do presidente", disse Tarso Genro, coordenador da frente"

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc29069905.htm

ImpeachOQUE?

Quem tem a minha idade – 47 – já ouviu essa palavra antes. Mas no começo da década de 90 era novidade, a gente não sabia bem como falar, muito menos escrever. Dava a entender que tinha a ver com piche, pichação... Eu lembrava das histórias de gibi em que jogavam piche e penas em algum malfeitor como castigo. Mas quando explicavam que “impeachment” quer dizer “impedimento”, já ficava mais fácil de entender.

Na época, tínhamos acabadado de eleger um presidente por voto direto pela primeira vez depois de muito tempo. Para minha geração, era inédito. Quando nasci já estávamos na ditadura militar, e ficávamos assistindo à troca de presidentes sem poder fazer muita coisa. O governo fazia um anúncio na TV - algo do tipo “saiu o nome do novo presidente, é o General Fulano de Tal”.

Depois de muita luta, reconquistamos o direito de escolher o presidente, e o primeiro vitorioso nas urnas foi Fernando Collor de Mello. O povo adorou o discurso dele de “Caçador de Marajás” - esse era o nome dado aos funcionários públicos que ganhavam salários altíssimos e trabalhavam muito pouco ou nada. Dizia que tinha acabado com esses privilégios quando era governador de Alagoas. Se hoje, com internet e tudo, ainda é possível enganar as pessoas que estão perto ou longe, quanto mais naquela época...
Em 1992, o irmão de Collor deu uma entrevista acusando o tesoureiro da campanha presidencial, o empresário PC Farias, de articular um esquema de corrupção dentro do governo. Era propina pra cá, dinheiro desviado pra lá... Aos poucos foram aparecendo outras denúncias confirmando e dando detalhes do esquema.

Em um domingo de sol, fui para a frente do Teatro Municipal vestida de preto com meus amigos da faculdade e minhas filhas pequenas para pedir "Fora Collor". Algum tempo depois, uma equipe da MTV, onde eu trabalhava, saiu para fazer a cobertura da grande manifestação de estudantes na Avenida Paulista com a mesma motivação. Eu me lembro da discussão na redação - não era uma emissora jornalística, mas não podíamos deixar de registrar!

Agora as ruas estão sendo tomadas novamente por apelos de "Fora presidente" (Dilma, claro) e no dia 16 de agosto vai haver manifestações no Brasil inteiro. Eu vou. Tem sempre uns doidos, extremados ou "apenas" equivocados, a fim de violência, golpe militar, derrubada na marra. Eu não. Só quero que o Brasil acerte seu rumo outra vez.

Soninha Francine ainda não decidiu se vai de branco, verde-amarelo, vermelho...

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Velocidade em São Paulo e em Curitiba

Não está errado reduzir a velocidade máxima de avenidas para 50km/h. É perfeitamente aceitável se considerarmos o tempo de reação (do motorista e do veículo) em um contexto com pedestres de todas as idades, animais, bicicletas, cruzamentos, entradas e saídas de garagem etc.

Já na pista local da marginal, não concordo. É uma via expressa. Muito melhor seria sinalizar adequadamente os acessos (entrada e saída de vias locais) com zebras etc para obrigar os veículos que já estão na Marginal a reduzir a velocidade ou até mesmo mudar de faixa nos pontos em que outros motoristas querem entrar na via.

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Se a velocidade máxima dos automóveis é 50, fica mais sem sentido ainda manter a dos ônibus nos corredores nesse mesmo número. Eles passam a centímetros da calçada. Tem pedestre que é atingido só por esticar a cabeça sem perceber o ônibus chegando. Sério.

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Aliás, é preciso analisar com muito mais seriedade a causa de acidentes para realmente combatê-los. No caso das marginais, por exemplo:

- As colisões aconteceram porque os veículos estavam na velocidade máxima ou porque estavam ACIMA da velocidade?

- Aconteceram colisões abaixo da velocidade máxima MAS acima da velocidade adequada para as condições da via naquele momento?

Na marginal acontecem acidentes porque caminhões entalam debaixo dos viadutos. Porque motoristas mudam de faixa sem olhar no espelho ou sem ao menos usar a seta (o que já ajuda os motociclistas a se prevenir de uma mudança brusca). Porque motociclistas estão rápido demais, mesmo com o trânsito parado. Porque as calçadas somem ou são podres e as pessoas acabam andando pela rua. Porque os acessos são mal feitos, principalmente as alças das pontes. Porque não há pontos seguros de travessia.

Pode-se alegar que, a 50 por hora, todos esses acidentes tem danos menores. Insisto: nos horários da madrugada, acontecem porque motoristas (alcoolizados, em muitos casos) andam MUITO ACIMA da máxima. E na hora do trâncisto pesado, acontecem ABAIXO de 50 por hora, mas causam fatalidades.

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A prefeitura não está mais usando o "radar pistola" para ver se as motos estão circulando acima de 30km/h no corredor?

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Em outras ocasiões em que houve alterações na velocidade, instalação de radares etc, o PT na oposição sempre acusou o governo de "fúria arrecadatória". Eu me lembro perfeitamente desse discurso nas reuniões da bancada.

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A redução da velocidade máxima não tem nada a ver com congestionamento... Isso é viagem de quem reclama. Andar a 50 é irritante quando a pista está livre. Quando não está, a máxima já é bem menor do que isso.

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Não é incrível a velocidade do andamento do processo judicial desencadeado pela Operação Lava-Jato? Além da prisão de figurões (que costumávamos chamar de "criminosos de colarinho branco", "tubarões" (em comparação aos "lambaris/peixes pequenos), busca e apreensão de bens, recuperação de recursos obtidos de forma ilícita etc, outro fato inédito é ver 3 instituições trabalhando em sintonia (Polícia Federal, Ministério Público e Judiciário) e a Justiça deslanchando como deve.